domingo, 15 de janeiro de 2017

AO MESTRE CHÁRLITON PATRIOTA COM MEUS RESPEITOS


Meu amigo sertanejo
Atravessador de rios
Sejam eles caudalosos
Como são tempos sombrios
Se da sombra tira o som
Pra virar-se em tempo bom
Onde só o som dos brios
ALLAN SALES

Muito embora nascido no sertão


sábado, 14 de janeiro de 2017

GALOPE II

Um raio de luz que veio num dia
Singela e solene tocando em tudo
Tão simples na forma de ser e contudo
Me fez ser canção e toda poesia
Pessoa de luz que em mim irradia
De noite de dia me faz bem sonhar
Me toca me ganha me faz delirar
Se perto ou distante a mim pouco importa
O mundo que abriu cancela e porta
A ela querer, viver sempre amar

ALLAN SALES.


GALOPE

Meu verso chegando não fica no gueto
E corre pra rua na alma é mestiço
Meu verso do povo além do castiço
No mundo chegando ocupa o coreto
Assim o poema pro mundo remeto
Aqui nesta hora do meu versejar
Ponteio das cordas que fica no ar
Vestindo com notas a nossa poesia
Cantando rimando com toda alforria
Cantando galope na beira do mar

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A seca e a cerca.

Tem uma praga maior que a seca, o modelo fundiário , sustentado por um sistema político perverso, eleito por um povo burro e submisso, quando tem chuva, o sertão não vira um paraíso. Se chuva resolvesse tudo, o norte do país, onde chove pra caramba, mas tem um povo mais ferrado, mais pebado, mais burro do que o povo nordestino. Em Israel, chove 1/3 do que chove no nordeste, no entanto nunca compuseram lá uma asa branca em hebraico.


Ao pacato cidadão
(autor: Allan Sales)
         I
Vou falar sem dizer mote
Meu pacato cidadão
As virtudes do meu dote
Da palavra inspiração
Pra mostrar e ter certeza
Não vem só da natureza
As misérias do sertão
         II
Quando a chuva molha a terra
Não fica tão diferente
Vejo povo nas estradas
Vai sem terra sem semente
Se a seca mata o gado
Latifúndio é mais malvado
Cria fome e mata gente
         III
Onde está teu Padim Ciço
Com anjinhos lá no céu
Onde está teu compromisso
Só discurso num papel
O povo não quer escola
Quer trabalho terra escola
Sem feitor sem coronel
         IV
Se eu falo no deserto
Cantando pra minha gente
Faço verso bem botado
Tantos acham insolente
Se esse povo nada muda
Vai morrer pedindo ajuda
Submisso e dependente
         V
Por aqui briga de foice
Pra ganhar o eleitorado
Pra prefeito presidente
Senador e deputado
O curral passando lista
Coisa de assistencialista
Hoje o boi é cadastrado
         VI
Um poder bem diferente
Nordestino e operário
Que chegou mandando a bolsa
Pra mudar triste cenário
A direita muda o texto
Diz que a bolsa é só pretexto
Pra ganhar voto de otário

         VII
A indústria que há seca
Na cultura também tem
Choram pela seca braba
Latifúndios poucos vem
Deixam quieto ruralista
Pois poeta conformista
Quer ser coronel também
         VI
Um Nordeste diferente
Falei num verso rimado
Sem curral de fazer voto
De eleger cabra safado
O Nordeste que eu prefiro
É o nordeste de Delmiro
Que sonhou Celso Furtado

ARTE

A arte que pulsa tão forte nas veias
Que chega na hora de forma incontida
Pois arte é parte mais viva da vida
Na mente da gente pois rompe cadeias
No mundo espalha candentes candeias
Da alma com arte que segue e altiva
No mundo chegando o entorno cativa
Pois arte que pulsa afirma em certeza
Que a chama da arte mantenha-se acesa
Tornando a vida ainda mais viva


ALLAN SALES

Um país que legou-nos Villa Lobos / Hoje pena com Anita e Safadão




















  


     I
Já tivemos uns tempos mais felizes
Que canções de primeira se ouvia
Todas tinham poema e melodia
E seguiam por outras diretrizes
E as rádios não eram meretrizes
A tocar de Jobim a Gonzagão
O Brasil num tesouro de canção
Pra virar um país de tantos bobos
Um país que legou-nos Villa Lobos
Hoje pena com Anita e Safadão
II
Musical meu país ainda é
Só não dão mais espaço pra quem presta
A indústria que manda tão funesta
Só em lixo dos grandes bota fé
E pra isso TV dá pra ralé
Todo tipo vulgar de encenação
Coisa burra sebosa sem noção
Não é coisa de seres que são probos
Um país que legou-nos Villa Lobos
Hoje pena com Anita e Safadão
         III
Fuleiragem demais vulgaridade
E o som que se faz apelativo
A TV a mostrar o lixo ao vivo
Invadindo no campo e na cidade
O Brasil que possui diversidade
Desde samba toadas e o baião
Afoxé tem rancheira de montão
Que não mostram aí em suas globos
Um país que legou-nos Villa Lobos
Hoje pena com Anita e Safadão
         IV
E a massa fiel alienada
Compra tudo que vende tal sistema
Desconhece beleza de um poema
De canção bem composta bem tocada
Só conhece o som desta cambada
E assim prosseguir na enganação
Espalhar a burrice a alienação
Embalar seus miolos de bonobos
Um país que legou-nos Villa Lobos
Hoje pena com Anita e Safadão
         V
O Brasil musical nesta desgraça
A indústria mandado porcaria
A pobreza sonora que se cria
Toda hora nas telas que isso passa
Isso é ruim demais é só trapaça
Reclamar detonar não é em vão
Cultural meu Brasil minha nação
Que resiste assim em sua saga
Um país que legou Luiz Gonzaga
Hoje pena com Anita e Safadão
         VI
Tem demais os que criam coisa boa
Não morreu entre nós todo talento
Que se faz com sentido seu invento
E assim musical meu Brasil soa
Na canção verdadeira que se entoa
Com sanfona cavaco e um violão
E também uma linda orquestração
Um talento de gente boa assim
Um país que legou-nos Tom Jobim
Hoje pena com Anita e Safadão